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Clipping
SER
CONHECIDO, O MAIOR DESAFIO.
Candidato do PTdoB, Vinícius Cordeiro
defende Guarda Municipal Armada e revisão tributária
para atrair novos investimentos. Escolhido pelo PTdoB para candidato
a prefeito do Rio, o atual presidente regional do partido, Vinícius
Cordeiro, tenta driblar o que considera um dos seus principais desafios,
o de se tornar conhecido dos eleitores.
Apesar de dispor de menos de um minuto no horário eleitoral
gratuito, que começa a partir do dia 19 de agosto, o prefeitável
acredita que pelo alto índice de rejeição dos
candidatos principais, a possibilidade de que o eleitorado queira
"experimentar" a opção de um novo nome é
maior. Antes mesmo de receber o aval da legenda para carregar a
responsabilidade de representá-la, Cordeiro teve que enfrentar
o assédio do senador e também candidato à prefeitura,
Marcelo Crivella, da coligação "Vamos Arrumar
o Rio" (PRB/PR/PRTB/PSDC), que tentou negociar com a cúpula
do PTdoB uma possível coligação. "Ele
procurou a direção nacional e eu me vi obrigado a
ter de enfrentá-lo no campo da demanda política e
das idéias. O acho muito simpático, mas entendo que
ele não vocalizava a forma pela qual o meu partido enxerga",
afirma Vinicius.
Entre suas propostas para a cidade está o retorno da Polícia
Militar para o trânsito do Rio, armar a Guarda Municipal,
para dotá-la de poder de polícia, investimentos em
programas de saúde e a transformação das escolas
em pontos multimídias. "O trabalho não é
só educar as crianças e os pais, e sim tentar levar
para dentro da escola toda a comunidade, fazendo-a interagir",
diz. Além disso, o candidato do PTdoB defende a revisão
do Código Tributário Municipal.
"O Rio passa por um esvaziamento econômico. Hoje, é
melhor o pequeno e médio empresário abrir uma organização
em Rio Bonito ou em Saquarema do que abrir no Rio. (...) Não
defendo que se mexa na alíquota como um todo, mas é
preciso termos uma política tributária inteligente
para não perdemos esses postos de trabalho e fazermos com
que os novos empreendedores queiram vir para o Rio", assinala.
Marcelo Copelli
TRIBUNA DA IMPRENSA - Na sua opinião, quais
seriam as prioridades do Rio?
VINÍCIUS CORDEIRO - A cidade apresenta uma
série de questões que, no fundo, estão interligadas
entre si sistemicamente. Uma delas seria o transporte. Não
tem como uma cidade se desenvolver de forma saudável sem
dispor de um sistema de transporte de massa adequado. Precisamos
de investimentos urgentes na recuperação viária
e na iluminação pública, por exemplo. Pretendo
também retornar a PM para o trânsito, pois entendo
que a experiência com a Guarda Municipal não deu certo.
É necessário dotarmos os conselhos municipais de grande
força, o que não aconteceu nos "anos Cesar Maia".
Atualmente, não são protagonistas na qualidade de
instrumento de planejamento de políticas públicas.
Temos que recuperar a capacidade de investimento da cidade. Existe
dinheiro, mas o prefeito errou na mão ao enterrar mais de
meio bilhão de reais em apenas uma obra. A saúde ficou
mal abastecida, não foram feitos investimentos significativos
na educação e a cidade sofre as conseqüências.
Para recuperamos a capacidade de investimento da cidade é
preciso redesenharmos a gestão, cortar, pelo menos, 20% dos
cargos comissionados para diminuir o "inchaço"
da folha, que visam apenas a atender interesses políticos
e nada produzem em favor da cidade, além da diminuição
do números de secretarias.
TRIBUNA DA IMPRENSA - De que
forma o próximo prefeito poderá contribuir para ajudar
a minimizar a violência que assola a cidade?
VINÍCIUS CORDEIRO - Conforme dito antes,
devemos rever a situação da iluminação
das vias públicas e o retorno dos policiais militares para
a guarda do trânsito. Sou a favor de armar a Guarda Municipal,
mas não para atuar de forma repressora, e sim com o objetivo
de dotá-la de poder de polícia dentro dos órgãos
municipais. Afasto qualquer crítica de se colocar homens
mal treinados e armados. Também defendo a idéia de
que a empresa municipal de vigilância deva ser extinta, e
os guardas regidos pelo regime estatutário. Quanto ao condicionamento
da violência em si, a prefeitura não pode fazer melhor
coisa do que investir maciçamente em educação,
e não falo somente da escola tradicional. Incluo também
a educação para o trabalho, uma vez que hoje, existem
demandas em diversos segmentos nesse sentido e temos uma massa de
jovens de comunidades carentes que simplesmente não encontram
alternativas no mercado. Devemos criar instrumentos para absorção
no mercado de trabalho ou teremos a piora nos índices de
violência, fatalmente.
TRIBUNA DA IMPRENSA - Quais são
os seus planos em relação à questão
do caos na saúde, onde hospitais estão em péssimas
condições, profissionais continuam sendo mal remunerados
e a população entregue ao descaso? De que forma pretende
evitar que episódios, a exemplo da epidemia da dengue, se
repitam?
VINÍCIUS CORDEIRO - Temos, de forma emergencial,
que recuperar a gestão plena em 100% da rede. Além
disso, a prefeitura deve aplicar o que de fato é determinado
pela lei na Saúde. O município do Rio não envia
muitos projetos para a Funasa (Fundação Nacional de
Saúde), nem tem procurado ofertar alternativas de investimentos.
É preciso que aprofundemos tal relação para
conseguirmos mais recursos para remunerarmos melhor os profissionais
de saúde, dotar os equipamentos públicos com maiores
opções e, sobretudo, investir nos Programas Médico
de Família, do Remédio em Casa e no equacionamento
dos problemas de doentes renais e diabéticos. É impossível
continuarmos a ouvir histórias de pessoas que são
obrigadas a entrar na Justiça para ver atendidas a continuidade
de seus tratamentos. Em relação ao controle das epidemias,
defendo imediatamente a volta do "fumacê" e uma
cooperação maior com a Funasa no controle epidemiológico,
não só da dengue.
TRIBUNA DA IMPRENSA - Qual a
sua previsão quanto à recuperação do
ensino público municipal, já que, altamente, a prefeitura
não investe o preceito constitucional obrigatório
por lei que determina a aplicação de 25% da arrecadação
na educação?
VINÍCIUS CORDEIRO - Minha orientação
no setor é calcada, sobretudo na observação
de modelos simples, porém muito festejados, a exemplo da
rede pública de Araruama (Região dos Lagos) e de Trajano
de Moraes (Região Serrana) que transformaram a escola em
um ponto multimídia, com a utilização de outros
instrumentos de educação, como o xadrez, a música,
espaços de leitura e o incentivo às artes. Precisamos
transformar a escola em referência para a comunidade. O trabalho
não é só educar as crianças e os pais,
e sim tentar levar para dentro da escola toda a comunidade, fazendo-a
interagir. Evidentemente, isso passa por remunerar melhor os profissionais
de educação. Colocar mais criança na escola
e investir na educação é também passar
a receber mais recursos. Essa equação perversa de
estarmos perdendo alunos nas salas de aula, termos equipamentos
escolares destruídos e termos poucos investimentos na manutenção
desses recursos precisa ser freada e revertida. É preciso,
sobretudo, vontade política. Ainda sobre a questão,
esclareço que sou a favor da eleição direta
dos diretores de escola. Devemos afastar de vez a interferência
política nas escolhas e nas coordenadorias de educação.
TRIBUNA DA IMPRENSA - A observação
dos orçamentos da atual gestão demonstra pouquíssimos
gastos em habitação. Ao mesmo tempo, para mexer com
tal questão é preciso conciliar um eficiente sistema
de transportes de massa, hoje, também afogado na degradação.
Quais políticas poderão ser desenvolvidas nesse sentido?
VINÍCIUS CORDEIRO - Falta planejamento urbanístico
para cidade e uma política integrada ambiental, sanitária
e de ocupação do uso do solo, que ocasionaram a expansão
desordenada das favelas. No governo Saturnino Braga, apesar de ter
sido uma gestão mal avaliada, tivemos uma boa experiência
que foi o conselho "Governo-Comunidade", que apontava
os principais problemas na ocupação e no uso do solo
em cada região da cidade e definia as prioridades na locação
e compra de residências populares. Se dotarmos o Rio de instrumentos
de planejamento urbanístico e não só habitacional,
podemos evitar ver os sem-teto ocupando prédios públicos,
regiões sendo loteadas por invasores, além da expansão
das favelas. Em relação aos transportes, o setor precisa
ser repensado de forma integrada, levando-se em conta a ocupação
industrial e a expansão habitacional.
TRIBUNA DA IMPRENSA - Quais articulações
o senhor analisa como sendo fundamentais a serem realizadas pelo
município para respaldar uma geração de empregos
maior na cidade?
VINÍCIUS CORDEIRO - Defendo a revisão
do Código Tributário Municipal. O Rio passa por um
esvaziamento econômico. Hoje, é melhor o pequeno e
médio empresário abrir uma organização
em Rio Bonito ou em Saquarema do que abrir no Rio. É balela
qualquer candidato prometer geração de postos de emprego
se não rever também as condições pelas
quais a cidade cobra por um empreendimento. Não defendo que
se mexa na alíquota como um todo, mas é preciso termos
uma política tributária inteligente para não
perdemos esses postos de trabalho e fazermos com que os novos empreendedores
queiram vir para o Rio.
TRIBUNA DA IMPRENSA - Quais as
resistências enfrentadas em razão do seu partido ter
lançado uma candidatura própria? Houve uma especulação
de que o senhor foi pressionado a renunciar para apoiar o candidato
do PRB, senador Marcelo Crivella ...
VINÍCIUS CORDEIRO - De fato, sofri pressões
por parte do senador que queria a todo custo forçar uma coligação.
Mas não uma que partisse da vontade da base. Ele procurou
a direção nacional e eu me vi obrigado a ter de enfrentá-lo
no campo da demanda política e das idéias. O acho
muito simpático, mas entendo que ele não vocalizava
a forma pela qual o meu partido enxerga o panorama político.
A nossa legenda está aparelhada para enfrentar um quadro
de candidatura majoritária. Pelo alto índice de rejeição
dos candidatos principais torna-se mais fácil ainda para
que o eleitorado experimente a opção de um novo nome.
Apesar das nossas dificuldades operacionais em relação
à conquista de fundos para bancar uma campanha eleitoral,
estamos organizados e preparados.
Quem é: Vinícius Cordeiro, 44 anos,
atual presidente regional do PT do B do Rio, disputa pela primeira
vez uma eleição para prefeito, tendo como candidato
a vice o servidor público federal Robson André. Foi
eleito segundo suplente de deputado federal, pela coligação
PTdoB/PSL - "Rio com mais amor", no pleito de 2006. Preside
há mais de 12 anos o Diretório Regional do Estado
do Rio, sendo ainda o 1º vice-presidente nacional do partido.
Em 1998 foi candidato ao Senado, conquistando cerca de 41 mil votos.
Advogado militante há mais de 20 anos, Vinícius é
especialista em direito eleitoral. É assessor parlamentar
na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), e também
exerceu o cargo na Câmara Municipal do Rio. Foi procurador-geral
da Câmara Municipal de Japeri, na Baixada Fluminense, sub-secretário
da Mesa da Câmara Municipal de Iguaba Grande, na Região
dos Lagos, e assessorou prefeitos e vereadores de diversos municípios,
inclusive na área do direito público.
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