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ENTEVISTA
DE VINICIUS CORDEIRO PARA A FOLHA DE SÃO PAULO.
Dez perguntas para o candidato
FOLHA: Qual o principal problema
do município e que solução você propõe?
VINICIUS CORDEIRO: Há diversos problemas
interdependentes. Mas, talvez, o maior desafio seja sanear as contas
da prefeitura, pois, sem isso, todos os projetos, investimentos
e intervenções ficam prejudicados. Deve-se extinguir
20% dos atuais cargos comissionados e reduzir secretarias –
sem, no entanto, reduzir os programas sociais.
FOLHA: Em março deste ano,
auge da epidemia de dengue no Rio de Janeiro, quando 49 pessoas
morreram no Estado, a Folha publicou matéria sobre a redução
de valores aplicados no controle da doença nos últimos
anos - tanto no âmbito municipal quanto no estadual. O que
o candidato pretende fazer para evitar nova epidemia?
VINICIUS CORDEIRO: A política de saúde
tem de ser preventiva; não centrada na cura das patologias.
Para isso, temos de manter um programa de combate aos focos, investir
na volta do fumacê e ampliar a cooperação do
município com os órgãos federais.
FOLHA: No ano passado, durante
as repetidas investidas da PM e da Força Nacional no Rio
de Janeiro, no Complexo do Alemão, escolas vizinhas à
comunidade - entre elas seis municipais - ficaram sem aula por,
pelo menos, 45 dias, por falta de segurança. O que o senhor
pretende fazer para evitar que a violência afaste os jovens
da escola?
VINICIUS CORDEIRO: O currículo escolar tradicional
precisa sofrer mudanças para atrair o jovem. Integrar matérias
comuns a disciplinas profissionalizantes seria um bom caminho de
formar mão-de-obra qualificada – o que motivaria o
estudante a freqüentar as aulas. É importante, ainda,
mobilizar a comunidade para cuidar das escolas.
FOLHA: A Guarda Municipal deveria
ter poder de polícia?
VINICIUS CORDEIRO: A Guarda Municipal, para zelar
pela conservação de escolas, de parques e de unidades
de proteção ambiental, não pode estar totalmente
desarmada. É melhor ter guardas parcialmente armados do que
seguranças privados - os segundos custariam mais caro aos
cofres públicos que os primeiros.
FOLHA: No início de junho,
pela primeira vez, o Rio se tornou uma das quatro cidades finalistas
para sediar as Olimpíadas de 2016. No mês passado,
Lula assinou o projeto de lei que vai liberar R$ 85 milhões
para a campanha da cidade. É válido investir tanto
dinheiro para trazer a Olimpíada de 2016 para o Rio em detrimento
de áreas prioritárias como habitação,
saúde e educação?
VINICIUS CORDEIRO: O investimento em corredores
viários deve ser feito independentemente da Olimpíada,
porque o Rio precisa disso. O aumento da rede hoteleira, a aquisição
de novos equipamentos esportivos e a melhoria da condição
urbana – indispensáveis para a realização
da Olimpíada - fazem bem à cidade. O fundamental,
porém, é fazer isso em conjunto com as outras esferas
governamentais para que não ocorra o que ocorreu no Pan:
postos de saúde fechados, enquanto a Cidade da Música
era construída a alto custo.
FOLHA: A cidade do Rio de Janeiro
- ao lado de São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Brasília
- já superou a marca de um milhão de veículos
circulando pelas ruas. Quais serão as principais ações
para amenizar/ resolver os problemas de engarrafamento na cidade?
VINICIUS CORDEIRO: A cidade precisa usar instrumentos
de planejamento do tráfego – o conselho municipal de
transportes e tráfego deveria ter mais poder para atuar nesta
área. A melhoria da qualidade da sinalização
e da malha viária também é necessária
para resolver o problema. Com este mesmo objetivo, tem de se criar
novos corredores viários e se pensar na expansão de
meios de transporte de massa como o metrô.
FOLHA: O atual prefeito do Rio,
Cesar Maia (DEM), não mantém relações
muito amigáveis com o governador Sérgio Cabral e nem
mesmo com o presidente Lula. O que fará para estreitar a
parceria com estas esferas do poder público?
VINICIUS CORDEIRO: A luta política termina
no processo eleitoral. O prefeito do Rio deve se integrar com o
governador do Estado e com o presidente da República. Devemos
afastar os resquícios dos políticos que priorizam
seus projetos pessoais em detrimento do bem-estar da população.
FOLHA: Concorda com a candidatura
de pessoas que respondem a processo na Justiça?
VINICIUS CORDEIRO: Há de se criar critérios
para que homicidas ou ímprobos não concorram. O simples
fato de ser acusado, porém, não torna alguém
indigno - é fácil denunciar ou processar alguém.
Um juiz pode iniciar um processo apenas com indícios.
FOLHA: Apóia o aumento
do limite de endividamento dos municípios previsto pela LRF
(Lei de Responsabilidade Fiscal), hoje de 120% da receita corrente
líquida?
VINICIUS CORDEIRO: Não, pois a dívida
interna já é altíssima.
FOLHA: É a favor da aprovação
de uma nova CPMF? Por quê?
VINICIUS CORDEIRO: Chega de impostos! A população
não agüenta mais. Defendo que o Rio reveja sua política
tributária com urgência para voltar a atrair empresas
e gerar empregos.
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